29/10/2009

SalviaDivinorun

Há alguns três meses, os jornais fizeram alarde sobre uma plantinha com o curioso mas apropriado nome de Salvia Divinorum. Segundo os jornalistas, as pessoas estariam substituindo o consumo de maconha pelo de Salvia. A Salvia não é ilegal e, apesar de ser difícil de encontrar, não chega a ser cara. Não para os efeitos que (dizem) proporciona. Tudo questão de custo-benefício, né. Disse que o nome da Sálvia é apropriado porque, segundo relatos, ela provoca o rompimento da identidade do indivíduo que a consome, e a reunião daquele indivíduo com a entidade maior. Seja lá o que isso signifique, já que nunca usei pra poder relatar. Os efeitos vêm rápido e passam mais rápido ainda. O usuário fica totalmente… idiota fora de si, e portanto é altamente recomendado que haja alguém sóbrio se você for usar a coisa. As chances de que você caia no chão ou derrube o cigarro são altíssimas.





Salvia Divinorum é uma espécie rara de salvia usada tradicionalmente como medicina sagrada pelos xamãs indigenas que vivem nas remotas montanhas de Sierra Madre Oriental, no estado mexicano de Oaxaca. Em espanhol, esses xamãs são conhecidos como “curanderos”.A Salvia divinorum também é conhecida, na língua Mazateca, como Ska Pastora ou Ska Maria Pastora, significando “Folha da Pastora” ou “Folha de Maria, a Pastora”. Em Náhuatel (antiga língua dos Astecas) é chamada de Pipiltzintzintli que significa “A mais nobre princesa”.Até hoje é usada pelos curandeiros mexicanos em seus pequenos vilarejos, quando alguém adoece e é preciso descobrir a causa da doença. As folhas da planta são usadas em situações em que o curandero sente que é necessário viajar através do mundo espiritual para obter sabedoria e descobrir a causa da doença do paciente. É sempre usada cerimonialmente e de maneira ritual, para induzir um transe visionário onde o curandeiro determina a doença e qual o método para cura-la. É também usada para aliviar problemas psíquicos e emocionais do paciente. Algumas vezes é dada ao paciente, outras apenas ao curandeiro, e as vezes é tomada por ambos numa mesma cerimônia.Salvia divinorum tem um tremendo potencial como ferramenta de crescimento pessoal, auto-conhecimento e descoberta de si mesmo. Deve sempre ser usada de forma inteligente e responsável, em um ambiente seguro e tranqüilo. Nunca deve ser usada em ambientes públicos ou ocasiões sociais. Salvia divinorum é uma ferramenta para meditação e deve ser usada somente para tal.

Ela é parente da Salvia officinalis - famosa por suas propriedades medicinais e por seu largo uso na culinária - e da Salvia splendens - ornamental que em 2004 ganhou destaque na mídia por ter sido usada para criar o canteiro com o formato da estrela do PT nos jardins do Alvorada, em Brasília, a pedido da primeira-dama Marisa Letícia, esposa do presidente Lula. Menos conhecida popularmente, a Salvia divinorum começa a ganhar fama também, mas por motivos bem diversos que os das suas "primas". Em agosto de 2004, a revista Carta Capital publicou a matéria "O Barato agora é Natural", assinada por Walter Fanganiello Maierovitch, que tratava do avanço do uso de drogas consideradas "naturais". Era pleno verão na Europa e, segundo a matéria, ervas, fungos, cactos e outros vegetais estavam compondo a salada alucinógena dos jovens europeus que invadiam as smart shops (oficialmente, lojas de alimentos naturais) onde funcionam os smart bares (locais nos quais alguns dos produtos à venda são elaborados com sofisticação e oferecidos em atraentes cardápios). Ali o grande sucesso era a Salvia divinorum, uma espécie do gênero Salvia, pertencente à família das Labiadas. A explicação para esse sucesso é que a espécie é considerada alucinógena, seu agente psicoativo - Salvinorin A - induz a estados alterados de consciência, mas também pode causar psicose aguda ou depressiva, algumas vezes até irreversíveis. O uso tradicional se dá por inalação, mas segundo consta, os índios mexicanos preparavam a Salvia divinorum mascando pares de folhas ou fazendo uma infusão em água agitando bastante para produzir uma espuma - dizem que a força do preparado depende da consistência da espuma. Muitos antropólogs asseguram que os índios Mazatecas, da região de Oaxaca, utilizavam esta erva para curas e fins religiosos muito antes da chegada dos espanhóis. Os xamãs denominavam a Salvia divinorum de "folhas de Maria" e a utilizavam para "viajar ao céu e poder conversar com os deuses" e, assim, obter o diagnóstico e tratamento para as doenças do seu povo. Nas últimas décadas, jovens de várias cidades mexicanas passaram a usar esta erva como substituta para a "marijuana" ou maconha. E agora também os jovens europeus estão usando a erva da mesma forma que usam a maconha, na forma de cigarros. Acredita-se que a principal substância psicoativa desta planta apresente efeitos similares ao da mescalina. Nas folhas, a concentração de Salvinorin A chegaria a 3 mg/g, sendo suficiente para, num cigarro, causar grande efeito psicotrópico. Registros recentes demonstram que a planta também tem sido utilizada como incenso. Aliás, talvez como uma maneira de burlar a legislação de alguns países que proíbem esta erva, muitos sites na Internet comercializam a planta para uso como incenso. Sálvia dos Divinos Originária da região de Sierra Madre, em Oaxaca, no México, a erva também ficou conhecida pelo nome de "folhas de Oaxacan". O nome botânico Salvia Divinorum, que significa "Sálvia dos Divinos", seria inspirado no fato da erva ter sido usada muitos anos em cerimônias religiosas e de cura pelos xamãs Mazatecas. Vários registros descrevem que nesses rituais era louvada a figura de uma entidade feminina ou "deusa sábia". Daí surgiram outros nomes pelas quais a Salvia Divinorum é conhecida: Ska Maria Pastora, Yerba de Maria, The Shepardess, entre outros. Alguns antropólogos que se dedicam ao estudo desta erva defendem que há fortes indícios de que a erva Pipiltzintzintli (que os Astecas utilizavam em seus rituais, há milhares de anos) era a Salvia Divinorum. A primeira descrição desta planta na literatura ocidental foi feita pelo antropólogo europeu Jean Basset Johnson, em 1939. Ele estava pesquisando o uso de cogumelos do gênero Psilocybe entre os Mazatecas e também notou que eles utilizavam a Salvia Divinorum em cerimônias de cura. Em seu artigo ele escreveu: " Os shamans (ou xamãs), bem como outras pessoas, usam plantas narcóticas também com a finalidade de encontrar objetos perdidos. Em alguns casos, usam teonanacatl (cogumelo), enquanto em outros usam uma semente chamada "semilla de la Virgen".A "Yerba de Maria" também é usada. Os Zapotecas usam a planta chamada "bador", a pequena criança, e os Astecas usam plantas narcóticas de forma similar (Johnson, 1939)". A planta como ela é A Salvia Divinorum é uma planta perene, com cerca de 1 metro de altura ou mais, de clima subtropical úmido, abundante no México e em outras regiões da América Central. As folhas são ovais, serrilhadas, aveludadas, de coloração verde intenso (embora em certas condições podem apresentar um tom amarelado). Quando frescas quase não possuem cheiro. As suas flores são branco-azuladas, dando a impressão de um lilás claro. A planta florida resulta num visual muito bonito, sendo de grande valor ornamental. A espécie, que se reproduz por estacas de galhos, é capaz de se adaptar bem em qualquer clima, desde que receba luz solar nos horários mais frescos do dia (pela manhã ou à tarde). Em ambiente interno ela deve ficar em locais bem iluminados ou que recebam sol indireto (filtrado por uma janela, por exemplo). Para se ter certeza da condição mais adequada para esta planta, basta lembrar que em seu habitat natural ela vive nas matas, onde a vegetação mais alta e densa a protege dos raios solares mais quentes. Embora seja bem adaptável, a planta pode ressentir-se com temperaturas extremas (abaixo de 10 e acima de 30 graus C). A Salvia Divinorum gosta de solo arenoso, com boa drenagem, para evitar acúmulo de umidade. Esta é, aliás, uma de suas poucas exigências: regas regulares, evitando-se o encharcamento. Vale lembrar novamente seu habitat natural, onde o solo é arenoso e cheio de pedregulhos. Quanto à adubação, a mais indicada é a orgânica, com húmus de minhoca e composto orgânico. Esta espécie apresenta uma certa sensibilidade aos fertilizantes químicos do tipo "NPK", por essa razão recomenda-se cautela ao aplicar este tipo de fertilizante. E, para encerrar, mais um detalhe sobre o lado mágico desta planta: alguns relatos registram que os xamãs Mazatecas fazem rituais específicos para cortar folhas ou mudas da Salvia Divinorum, com a finalidade de tornar as folhas mais "fortes" para suas experiências espirituais.


Eu sou um cara que gosta de experimentar as coisas magicas da natureza, e dias atrás conheci a tal Salvia Divinorum 15X.
1º A planta possui uma potencialização muito forte, realmente é só dar uma “bolinha” que já tem o efeito esperado.
2º Ela realmente te faz pensar alem do que você consegue normalmente(muito bom)
3º Meu relato é o seguinte – Apenas tomem cuidado com o Extrato, já que quando dei a “bolinha”, laguei o meu bong caseiro do alto(ainda bem que era de plastico e não quebrou) entrei correndo em casa(cambaleando) pq parecia que tinha um buraco negro me puxando, não conseguia separar a realidade da fantasia, foi legal, mas é uma experiencia um pouco pesada.Devem tomar cuidado com o seu cachimbo depois da utilização, pq você fica meio sem noção e pode causar um incendio, tentem utilizar em algum lugar que não terá problema nenhum, ou com alguma pessoa de confiança com vc.


Com a primeira inalação disse para mim próprio: “Será que isto vai funcionar?”. Primeiro senti algo ligeiro, e depois (o efeito) atingiu-me como uma tonelada de tijolos. Senti-me um pouco tonto e recaí de imediato na cama, enquanto tentava lidar com a intensidade da distorção da consciência. Lembro-me de dizer alto para mim próprio: “Uau! Acabei de cair num buraco bem fundo”.







As pessoas precisam entender mais sobre essa planta, principalmente aqueles que vão fazer a simbiose com ela. Não se pode mais dar motivos para que a mão do poder baixe sobre essa planta divina. As pessoas precisam ser discretas e agir de acordo com a responsabilidade psicodélica. A Sálvia não é um novo Ácido, ela é totalmente diferente de qualquer droga. Há um espírito lá, há uma realidade toda dela. Para desfazer mais mal entendidos convoco Daniel Siebert para ser o nosso Avatar da Psicodelia de hoje.















Entrevista com Daniel Siebert, o principal perito em Sálvia divinorum
Sr. Siebert, ainda é verdade que a Sálvia divinorum disponível no mercado a nível mundial baseia-se em clones de uma planta primordial da Serra Mazateca? Daniel Siebert: Plantas vivas de Sálvia divinorum foram coletadas na região Mazateca várias vezes nas últimas décadas. Estas foram coletadas em diversos locais, para que elas possam ser diferentes clones. No entanto, desde sempre os Mazatecas propagaram a planta a partir de estacas (que quase nunca produz sementes), é bem possível que muitas destas diferentes coleções clonais sejam idênticas. A maior parte da Sálvia vendida hoje é importada do México, e muito, se não a maioria, é cultivada na região Mazateca. Alguns estão também explorando comercialmente em outros países. Todas plantas cultivadas de Sálvia divinorum originadas de estacas foram coletadas na região Mazateca, uma vez que é o único lugar onde esta espécie é tradicionalmente cultivada. Ou não, também ocorre lá uma verdadeira planta selvagem mas não foi determinada com certeza. Há populações na região que parecem selvagens, mas estas podem ser populações selvagens de plantas que foram deliberadamente plantadas nesses locais no passado. O fato de que quase nunca a planta produz sementes sugerem que essas populações não são verdadeiramente selvagem. Pode muito bem ser que esta espécie já não exista em qualquer lugar no mundo selvagem. Se for esse o caso, então é totalmente dependente de seres humanos para impedir-la de ser completamente extinta. Mesmo que verdadeiras populações selvagens sejam identificadas no futuro, é provável que elas só existam em uma área geográfica muito pequena. De uma perspectiva ecológica, isto é uma planta muito rara. O fato de muitos países estarem tornando a Sálvia divinorum ilegal põe em risco toda a espécie.



É popular postar viagens de Sálvia no YouTube. A maioria das pessoas parecem ter uma experiência extraordinária. Estas sessões são submetidas à sensível condição de preparo e ambientação? A maioria dos vídeos sobre Sálvia no You Tube mostra pessoas utilizando a erva de forma negligente e excessivamente em doses elevadas. Estou perplexo quanto à razão pela qual alguém gostaria de postar vídeos de si mesmos ou os seus amigos agindo tão insensatamente. Não são apenas as pessoas fazendo vergonha publicamente, mas estão também criando uma impressão negativa da Sálvia, que cria motivos para as mãos de pessoas que gostariam de torná-la ilegal. Esses vídeos normalmente tentam mostrar as pessoas interagindo com a câmara e as outras pessoas na sala, enquanto eles estão na Sálvia. Ao fazer isso, deixam escapar o mais interessante e valioso aspecto dos efeitos da sálvia: a experiência interior. É importante usar Sálvia em doses adequadas, em um ambiente pacífico, com uma preparação adequada, e com uma atenção de se dirigir interiormente durante a experiência. Isto claramente não é o que as pessoas estão fazendo nos vídeos do You Tube.
Qual forma de usar você recomendaria? Mastigar as folhas, fumar ela, extrato de folhas ou álcool, Salvinorina A pura? Pessoalmente, eu prefiro tomar sálvia oralmente, o que é aquilo que o Mazatecas fazem. Quando tomado por via oral, os efeitos desenvolvem de forma mais gradual e duram consideravelmente mais do que acontece com o tabagismo. Isso torna mais fácil a transição para a experiência e dá mais um tempo para explorá-la e fazer uso construtivo dela. O aparecimento de efeitos mais gradual também torna possível lembrar por que tomou uma sálvia e o que pretende realizar durante a experiência. Isto é especialmente importante quando se está tomando Sálvia seriamente para auto-exploração e trabalho interior, que na minha opinião é a forma como ela é melhor usada. Quando tomada por via oral, o pico dos efeitos acontece entre 45 minutos a 1,5 horas e em seguida diminuem durante uma hora ou mais. Em contraste, o tabagismo produz efeitos que se manifestam muito repentinamente e só passam entre 5 ou 6 minutos antes de começar a diminuir. O súbito aparecimento de efeitos é frequentemente muito desorientador e os efeitos começam a desvanecer-se antes de que seja capaz de se entender o que está acontecendo. Isto é especialmente verdadeiro quando se fuma forte extratos. No entanto, algumas pessoas acham difícil obter um nível desejado de efeitos quando se toma Sálvia oralmente. Estas pessoas só podem ser capazes de obter uma forte experiência se fumar.
Observando-se o debate público sobre uso de drogas, os diferentes tipos, qualidades e conteúdos da experiência de diferentes drogas são negligenciados. A palavra em Inglês para o bonito alemão “Rausch” é “intoxicação”. Seria útil para fazer uma boa caracterização das experiências com drogas apesar do fato de elas serem tão diferentes? Generalizações podem provocar nas pessoas idéias imprecisas sobre drogas específicas. Vejo isso acontecer frequentemente com a Salvia divinorum. Porque ela produz efeitos visionários, as pessoas freqüentemente chamada sálvia de “alucinógeno”, “psicodélico”, ou “enteógeno”. Estas são todos os termos apropriados para substâncias indutoras de visões, mas é importante compreender que os efeitos da Sálvia diferem de todas similarmente categorizadas drogas. Infelizmente, as pessoas muitas vezes transferir os seus preconceitos acerca de outras drogas sobre a Sálvia. Salvia é única.

E, em que tipo de experiência você classifica a trip da Sálvia? Eu normalmente descrevo a Sálvia divinorum como uma erva indutora de visão e Salvinorina A como um diterpeno indutor de visão. Tento evitar os termos “alucinógeno”, “psicodélico”, e “enteógeno”, principalmente porque essas palavras tendem fazer as pessoas pensarem em alcalóides, como LSD e Psilocibina. As trips da Sálvia variam de caráter, dependendo do cenário, ajuste e dosagem, mas de um modo geral, elas são como experiências de sonho visionário.
Há uma discussão correndo sobre a qualidade destas experiências. Por um lado, elas são descritas como emissões caóticas do cérebro, uma alucinação irreal, por outro como valioso estados de consciência. Existe algo parecido com um truque para converter ou traduzir as visões pro senso comum para serem útil na vida cotidiana? Sálvia oferece acesso a partes da psique que normalmente estão fora do alcance. Por esta razão, as pessoas muitas vezes aprender muito sobre si mesmo durante viagens na Sálvia. Se alguém quiser ter uma visão a partir de uma experiência de Sálvia, a coisa mais importante a lembrar é ficar concentrada e prestar atenção. As imagens e cenas que aparecem são muitas vezes significativas. Às vezes, o significado é imediatamente aparente. Mas às vezes ele não ficou claro até mais tarde, quando a pessoa tenha tido tempo para refletir sobre a experiência. Pode ser útil gravar um relato da experiência logo após os efeitos terem abrandado. Sálvia é especialmente útil como uma ferramenta para obter visão e clareza quando se sente confuso sobre a vida, um caminho ou relacionamentos.
Mas não é possível que os insights na própria vida sejam muito grandes? Até que não se possa receber a mensagem? Sim, isso pode acontecer. Muitas vezes as pessoas são incapazes de fazer sentido do material que surge durante experiências com Sálvia. Isso pode acontecer por muitas razões: falta de maturidade, falta de foco mental, muitas distrações, falta de preparo, falta de experiência, etc…
Se você devesse comparar os benefícios de uma experiência com Sálvia com outras opções terapêuticas para saber mais sobre a própria e sua incorporação no mundo social, qual seria a sua conclusão? Pode comparar o perigo de viagens com Sálvia de outras opções terapêuticas? Eu não estou realmente qualificado para responder a essa pergunta porque eu não sei muito sobre psicoterapia ou psiquiatria. Eu sei que as pessoas muitas vezes têm visões profundas em experiências durante Sálvia e que muitas vezes se sentem revitalizadas e mentalmente atualizada após tais experiências. Certamente Sálvia pode beneficiar muitas pessoas, desde que o preparo, a ambientação e a dosagem sejam adequadas. Mas, eu não recomendo para todos. Embora pareça ter um grande potencial, o uso de Sálvia como uma ferramenta terapêutica tem sido pouco estudada em todos.
Em uma entrevista com Hans-Christian Dany autor de um livro sobre anfetamina, ele mencionou que não pode haver boas razões para ficar sóbrio quando as condições sócio-econômicas estão erradas. Dany estava pensando sobre o sistema capitalista em que drogas como Speed contribuem para manter o controle sobre as pessoas. Será este um pensamento-argumento válido sobre consumo de Sálvia também? Não creio que as condições sócio-econômicas tenha muito a ver com a razão pela qual uma pessoa opta por utilizar Sálvia. Salvia não é uma droga de escape. Muito pelo contrário, é uma ferramenta filosófica. E muitas vezes motiva as pessoas a examinarem cuidadosamente as suas vidas e fazerem mudanças positivas. Desde que ela seja usada com sabedoria e com uma preparação adequada, o uso ocasional de Sálvia não compromete a capacidade de viver uma vida saudável, vida produtiva, ou de ser um bom membro da sociedade.
Obrigado pela entrevista.

Num serviço de utilidade pública, um intrépido membro da indômita de uma comunidade submeteu-se a um ousado experimento com cogumelos. Caso alguém já queira processá-lo no primeiro parágrafo, é bom lembrar que cogumelos não são drogas ilegais. Até porque nascem nos pastos e seria preciso encarcerar todas as vacas do mundo para dar cabo deles.

Antes de mais nada, qualquer interessado em usar o cogumelo semelhante ao Stropharia cubensis que cresce nas bostas de vaca do Brasil deveria preencher os seguintes requisitos:

1. Bom conhecimento em filosofia

2. Mente saudável

3. Conhecer algo da história da psicodelia, em especial a biografia de Timothy Leary, Flashbacks.

Como em geral são adolescentes imbecis que usam drogas diferentes de cocaína ou maconha, é aconselhável que tomem os cogumelos ao menos acompanhados de algum amigo sóbrio e, se possível, em casa, numa sala confortável, sem decoração agressiva, com música decente e calma tocando. Uma boa opção de ambiente é um monte de almofadas no chão, meia-luz e mogwai na vitrola.

NÃO TOME COGUMELOS SEM TER CERTEZA DE QUE SÃO OS QUE ESTÁ PROCURANDO.

É evidentemente perigoso. Procurar cogumelos alucinógenos sem nunca ter visto um é besteira, mas pelos mesmos motivos de antes, aqui vão algumas dicas de como reconhecer o bicho:

1. Crescem sobre as bostas de vaca, após uma chuva ou garoa.

2. Os mais altos tem cerca de 10cm, com uma cabeça circular de até 5cm de diâmetro, de coloração branco-dourada. Às vezes, há um anel preto no caule branco. A consistência é carnosa e ele se despedaça com facilidade.

3. Mais importante: ao entrar em contato com o ar, a parte interna do caule fica roxo-azulada. Abra o caule, para verificar, e espere alguns minutos.

Há várias formas de ingestão. A mais popular é a infusão. Basta ferver os cogumelos durante alguns minutos, podendo-se acrescentar vinho, cachaça, sucos, ervas, qualquer coisa. O gosto é tenebroso, em compensação bate mais rápido. Minha forma preferida é lavar e comê-los dentro de um pão, cabeças e caule. Dá menos trabalho, a onda chega de forma mais suave, dura mais e é mais forte. Café ou cerveja ajudam a tirar o gosto ruim da boca.

A dose, no caso de ingestão dos cogumelos inteiros, é de 4 ou 5 grandes por pessoa. Tenha em mente que a viagem é muito potente, e o risco de bad trip é alto. Quanto a riscos físicos, além dos possíveis acidentes (atropelamentos, quedas, etc.), há a possibilidade de um surto psicótico. Algumas pessoas jamais retornam dele. O motivo para isso é simples: a psilocibina e seus parentes ativam a psicose básica do sujeito. Ou seja, se você tiver delírios paranóicos, é porque vai ser paranóico se um dia enlouquecer. Se já for um tanto desequilibrado e faltar apenas um estalo para surtar, não é difícil que o uso de cogumelos provoque o surto.

23:00, dia 15.02.2002 - Comi cerca de 5 cogumelos grandes, dentro de um pão, e saí de casa junto com duas amigas que também haviam comido os docinhos. Íamos até a praça central de Garopaba/SC, pegar um ônibus para a ferrugem, um tipo de shopping etílico a céu aberto, freqüentado por mauricinhos e surfistas adolescentes da pior espécie. Má escolha, como verificaríamos mais tarde.

23:30 - Ao contrário de minhas expectativas, a onda chegou em apenas meia hora. Começou com uma sensação de anestesia pelo corpo, em especial nas pernas. A pessoa sente-se flutuando. Não sente cansaço, por mais que caminhe, corra ou pule - o que não siginifica que não vai sentir dores musculares no dia seguinte. Penso que esta característica da psilocibina era responsável pelos aparentes superpoderes do xamã. Ele poderia dançar a noite inteira, sem cansar. Correr, levar porrada. Segue-se à anestesia uma sensação de euforia. Rimos por nada.

24:00 - Esperando pelo ônibus, sinto os primeiros efeitos visuais. As sombras de algumas árvores se movem pela grama, e uma das casuarinas parece-se demais com uma lula gigante. Algum desconforto no estômago. Minhas amigas não param de fazer piadas, estou muito ocupado com os efeitos visuais, mas não consigo conter um sorriso permanente. Nas pernas, sinto como se mosquitos estivessem me picando, ou formigas caminhando por elas. Não estão.

24:30 - É difícil descobrir quanto custa o ônibus e também contar o dinheiro. As moedas todas se parecem. Não reconheço mais a estrada. Quando estou 100m adiante, vejo à minha frente os 100m anteriores da estrada. Difícil descobrir onde estou. A luz de um carro bate no pára-brisa, explode e meu campo de visão fica cheio de pedrinhas de luz. Desço do ônibus com certa dificuldade.

Tenho medo de atravessar a estrada, porque estou tendo alucinações e posso não ver um carro. Atravesso. Olhando para o céu, fico surpreso com o tamanho dele. As estrelas ficam mais brilhantes, e a cor é esquisita. Ao caminhar, sinto como se estivesse chapinhando num charco. Um sujeito nos manda subir na caçamba de sua caminhonete, ganhamos uma carona. No caminho, muita poeira. Fico em dúvida se estou alucinando algumas nuvens de poeira, se estou mesmo coberto de areia. É cada vez mais complicado dialogar.

1:00 - Chegamos ao lugar. Meu corpo parece mais alto e magro enquanto caminho. Alguém fala sobre uma rave, bem no momento em que passamos por um estacionamento. Abismado com a qualidade da luz e do espaço, digo que a rave deveria ser ali. Parece muito apropriado. A sensação de anestesia agora dá lugar ao que poderia-se definir como separação do corpo. Os sentidos não necessariamente comunicam mais o que está se passando, ou fazem isto de forma confusa. Por causa disso mesmo, os movimentos exigem cada vez maior concentração.

A luminosidade e as cores da avenida de terra cercada por bares é interessante. Pareço estar dentro do filme Delicatessen. Jeunet é, com certeza, o diretor de arte das viagens de cogumelo. Um guindaste de bungee-jump chama minha atenção. Tudo é novo, imenso. E tudo parece se encaixar no seu exato lugar, tudo parece apropriado e conveniente. Sentamos em um bar, mesa da rua. Não calamos a boca. Rimos. Enrolamos a língua. Toca um axé. Procuro um banheiro, e ao fazer isso, cruzo por caixas de som tocando Metallica. A trilha sonora parece muito adequada ao local em volta, escuro. Está fechado, então volto para a mesa e digo, rindo, que não consegui mijar. Indicam um banheiro e vou até ele, no setor em que toca Enter Sandman. O banheiro é infecto, mas acho ele bastante bonito, as cores da merda e do barro e as paredes sujas. A adequação da música ao local me deixa alegre, sinto-me seguro no universo.

Saio dali e compro uma cerveja. Kaiser Summer. No momento em que retiro o dinheiro do bolso para pagar, desço à terra e tomo consciência de como estão meus movimentos. Tiro o dinheiro do bolso como um mendigo o faria. Devagar, levantando a camiseta para expor o bolso - e a barriga por tabela. Fico preocupado, pensando que as pessoas devem estranhar isso. Volto para a mesa e converso com as meninas. Não é preciso terminar as frases para entendê-las. A cerveja brilha amarela, radioativa. Estou muito, muito feliz. Nunca estive tão feliz. Qualquer movimento dá prazer, por isso passo a língua pelos lábios e mexo os dedos. Penso em tomar cogumelos todos os dias da minha vida. Minhas amigas concordam. Uma delas jura não estar sentindo nada, mas nota-se a euforia dela. A outra me acompanha em uma discussão sobre os efeitos intelectuais do cogumelo. Digo que agora entendo do que as letras dos Doors falavam, a estética psicodélica toda. Segue-se o seguinte diálogo:

EU: Quando tomei ácido, olhei para uma concha e compreendi como funcionava a acústica dela, porque fazia aquele barulho.

ELA: E como funciona? Lembrou agora, com os cogumelos?

EU: Não. Eu teria de olhar para a concha, para compreendê-la. (Pego a garrafa na mão) No máximo, posso compreender o princípio da acústica das garrafas, porque tenho esta garrafa aqui.

Escrevo isto num caderninho da guria. A letra é uma mistura da minha letra atual com letras emendadas dos meus tempos de alfabetização no colégio. Um dos efeitos do cogumelo é a impossibilidade de entender letras e símbolos gráficos. Talvez seja conseqüência das alterações visuais. Cuidado com seu dinheiro.

A euforia torna difícil ficar parado. Tenho vontade de ir à praia. Uma das meninas - a que diz não sentir nada de mais - sai para ir ao banheiro. Não volta mais. Convido a outra para ir à praia, mas ela não quer. Sinto a mente cada vez mais descolada do corpo, e lembro de pensar algo como "estou me tornando totalmente simbólico". Talvez por ter lido recentemente "A Negação da Morte", em que Ernest Becker divide o ser humano em animal e simbólico. Enfim, quando respiro fundo, consigo "descer" para o corpo e manter um pouco a linha. Estou realmente preocupado com o que os outros estão pensando a meu respeito, porque tenho a impressão de estar falando muito alto e agindo de forma muito teatral. Minha amiga concorda. Um sujeito, que veio de carona na mesma caminhonete e sentou na mesa conosco, diz que parecemos alegres, mas normais.


Começa a chover. Forte. Todos se levantam, somos os únicos dois sentados em uma mesa na rua. Não sinto a chuva, mas começo a me sentir ridículo e comento que "somos aqueles caras no fundo do bar, podres de bêbados, que todo mundo fica criticando e desprezando". Estou, evidentemente, ficando paranóico. Decidimos caminhar, porque não conseguimos mais ficar sentados. Na primeira esquina, decido que PRECISO ir à praia, ver o mar, porque ele tem algo a me dizer. Minha amiga vai para outro lado.

A chuva engrossa, mas não me importo. Sinto-me orgulhoso de não ter medo da natureza, de andar em comunhão com ela. Ao chegar na trilha que dá na praia, o caminho muda constantemente. Parece muito mais longo. Receio me perder. Ao chegar na areia, os morros parecem enormes, bem mais altos do que são na realidade. O mar nasce das brumas escuras no horizonte. Há luzes em alguns locais sem casas. A água não avança para a areia, faz o movimento contrário e parece se desdobrar sobre si mesma. Estou realmente abismado. O mundo é imenso, infinito. Não há nada nem ninguém por perto. As pessoas do outro lado do mundo, na rua, não existem. A praia é um mundo separado, é algo além, a fonte de toda criação. Aquela praia. Resolvo caminha um pouco, e quando me viro, posso vislumbrar o mar batendo na areia, um morro atrás, uma floresta escura e então a rua, iluminada como uma disneylândia. Parece um cenário do jogo The Secret of the Monkey Island nas cores e formas das casas e paisagem. Ao longe, um dinossauro forma-se das brumas. Então, compreendo TUDO. Sim, agora eu sei porque estou aqui. O mar está me dizendo que sim, a vida tem um sentido, a seqüência mar, areia, floresta e cidade é um resumo da evolução. E eu estou pairando sobre ela. Eu sou deus.

Não, eu não sou deus. Sou parte dele e ele é parte de mim. Sou o mar, o vento, as montanhas, a floresta e a cidade. Tudo está em seu lugar, tudo tem um porquê, tudo é adequado e necessário. Amo tudo. Não sei o que fazer com tanta alegria. Quase choro. Minha vida está justificada, não há mais lugar para angústias existenciais.

Neste momento, lembro que estou NO MEIO DA PRAIA, DURANTE UMA CHUVARADA. A existência pode me amar, mas também pode mandar um raio na minha cabeça. Corro. Quando estou saindo da praia, caio na trilha para um bar onde tomei meu primeiro ácido. É de uns uruguaios, é meio hippie, tem redes e sofás. Resolvo ir pra lá. Fica dentro da floresta escura, mas não tenho medo. Sou um xamã, a floresta é minha amiga.

Na porta do bar, me dou conta de que sou um magrão encharcado e com os pés cheios de areia. Lavo os tênis na água que cai do telhado. Quando piso dentro do lugar, um cachorro late. Um pastor preto. É mescalito. Não, não é. Mas os cachorros, uns 3, me olham de maneira esquisita, cheiram. O bar brilha com luz intensa. Peço uma cerveja. Custa R$ 3,00, eu dou duas notas de 10, mas o sujeito do bar é legal e me devolve direitinho. Percebo que é muito fácil me roubarem. Fico meio desconfiado do sujeito ao lado. Puxa papo, diz que é de Porto Alegre e está em Ibiraquera. Suspeito que seja um foragido da polícia. Do outro lado do balcão, há uns hippies. Mas, na verdade, são piratas. O chefe deles é ruivo e tem feições norueguesas. Fala algumas frases de efeito e me manda ficar à vontade. Estou satisfeito. Feliz. As pessoas do bar cuidam de mim.

Demoro para tomar a cerveja, ou acho que demoro. O tempo se alarga muito sob efeito dos cogumelos. Não tenho idéia de que horas sejam, parece ser umas 3 e meia. De repente, a deusa indiana Kali aparece perguntando se a cerveja é minha. Hesitante, respondo que sim. Kali é má. Ela quer abusar de mim. Todos querem. Quero sair correndo, mas começo a me achar imbecil e tomo o resto da cerveja. Até porque, o foragido pode desconfiar. Quero esperar ele ir embora. Não vai, então vou logo embora, deixando Kali por lá.



Andando na rua, todos olham para meu estado deplorável. Olham mesmo? Não tenho como saber, mas isto me incomoda muito. Quase esbarro em mesas e carros. As pessoas naquele lugar são malditos mauricinhos horríveis. Não conseguem perceber, como eu, a existência, o sentido da criação, enfim, tudo. Vivem inconscientemente. Penso em matá-los, mas resolvo me refugiar na praia, onde não posso fazer mal a ninguém e ninguém pode me alcançar. O mar é meu amigo. A floresta também. Eu sou um xamã. Mas desta vez, a praia e todo o universo parecem imensos demais. Sinto frio. Alguns arbustos parecem guerreiros indígenas.

O fato de os arbustos parecerem guerreiros explicaria as tais conversas dos xamãs com espíritos e animais míticos? Não admira que índios e acadêmicos de harvard tenham endeusado os cogumelos, a experiência psicodélica. A psilocibina dá a impressão de ARROMBAR os filtros que o cérebro usa para não submergir em uma profusão de estímulos e sensações. O sujeito pensa mais rápido, e não por lógica, mas intuição. Não sente cansaço. Compreende coisas apenas olhando para elas. Tem respostas. É mágico, é poderoso. O que mais poderiam pensar índios sem nenhum refinamento acadêmico, além de que haviam passado para outro mundo, o mundo dos espíritos e guerreiros ancestrais? Um mundo terrível, mas imenso, mas ao mesmo tempo familiar, aconchegante?

A experiência psicodélica suscita uma questão intelectual importante sobre epistemologia: até que ponto nossos sentidos são uma forma razoável de conhecer o mundo? Tudo o que eu vi sob efeito da psilocibina EXISTIA. Quem poderia negar? Eu FALEI com o mar, eu VI a criação e a evolução. Se uma substância qualquer pode confundir assim os sentidos, por que uma variação normal em nosso cérebro não poderia nos fazer ver coisas que não existem o tempo inteiro? Pode-se confiar realmente na realidade que vemos? O equilíbrio químico do cérebro é, afinal, delicado. Não seria tudo um grande embuste?

Neste instante, percebo o quanto a civilização é imbecil, como ideologias e culturas inteiras podem ser baseadas em erros de interpretação da realidade ou de realidades induzidas por drogas. Há alguma certeza? Há?

E todo caso, o mar ruge ameaçador, como o vento e a chuva, eu estou perdido dentro deste meu novo mundo de símbolos e começo a temer ter surtado com uma dose excessiva. A idéia de ficar com os sentidos confusos o resto da vida me inspira um terror verdadeiro. Decido ficar sentado e não fazer nenhum movimento, esperar até de manhã, para o efeito passar. Quero, mais do que tudo na vida, sair da viagem. Quero voltar ao meu corpo, ao mundo real. O medo é avassalador. Além de qualquer explicação. Tenho medo que meu ego se dissolva em símbolos e eu nunca mais volte. Sinto culpa, prometo nunca mais usar drogas e expiar todos os meus pecados e contar tudo para a minha mãe, quando voltar a mim.

No fim, algumas racionalizações me convencem que é melhor ir para casa, onde ao menos minha mãe pode me encontrar e cuidar de mim. Resoluto, começo a caminhar os 10km que me separam de casa, debaixo de chuva e cheio de areia. Num boteco de quinta categoria, encontro as duas amigas perdidas. Fico feliz, porque falar com outras pessoas me prende ao corpo e impede meu ego de se dissipar. Mas elas estão entornando cachaça e gritam e riem e parecem realmente sensuais. A galera que joga sinuca delira, e pelo jeito elas estão fazendo a alegria deles há um bom tempo. Só consigo balbuciar "que bom que eu voltei".

Uma delas havia tirado a blusa em público, mas neste momento estava vestida. Tomava chuva de propósito, e o dono do bar olhava para elas com pena. Comecei a me preocupar com a atitude feminina agressiva delas em meio a uns estivadores, e também queria ir embora. Num rasgo de lucidez, peguei o número de telefone de uma das duas e fui embora, dizendo "desculpem, meninas, mas eu não posso cuidar de vocês". Senti-me um xamã fracassado por isso. E, na verdade, precisava eu mesmo de tanto cuidado quanto elas. Andei um ou dois quilômetros e comecei a sentir frio. Saí da chuva, tremendo, mas dei graças a deus por ter voltado da viagem. Depois de algum tempo, voltei para procurar elas, bastante preocupado. Estavam melhores do que eu. Fomos embora. Pensei que fossem umas cinco da matina, mas eram apenas 3:00.