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23 de dez. de 2008

ASPECTOS DA POLÍTICA HOLANDESA PARA A CANNABIS

Esta matéria foi feita por Luiz Paulo Guanabara em Amsterdam, Agosto de 2006. O seu objetivo é mostrar que é possível lidar com a produção e consumo de maconha de uma forma racional e tolerante, sem esse ímpeto repressivo e criminalizador dirijido contra a cannabis. E qual o resultado da política holandesa para a cannabis? Uma grande redução da criminalidade e da violência associadas às drogas ilícitas e, para uma sociedade que há séculos adota o livre mercado, o custo-benefício favorável que fala mais alto.

Martin Nusink é um matemático holandês que vive em Amsterdam, auto-suficiente em seu consumo de maconha. Ele não precisa comprar num mercado ilícito ou pagar os elevados preços dos coffee-shops. Martin me recebeu em seu apartamento, no centro da cidade, pronto para começar os trabalhos.


Aspectos da Política Holandesa para a Cannabis

Na Holanda, cada cidadão pode plantar até cinco plantas de cannabis para consumo pessoal, sem infringir a lei. Martin Nusink é um matemático holandês que vive em Amsterdam, auto-suficiente em seu consumo de maconha.





Tem cinco plantas na sua pequena varanda, que na época em que atingem o ponto de colheita, mais de um metro e meio de altura, cobrem quase totalmente o espaço.



As cinco plantas lhe rendem em torno de 750 gramas, mais do que ele fuma por ano. Ele guarda sua colheita em lugar escuro e arejado, dentro de potes de vidro com vedação de borracha. O fumo da foto abaixo é da colheita do ano passado.



Ele compra as mudas num dos vários Growshops espalhados pela cidade, quando estão com cerca de 20cm de altura cada. Calcula que junto com os produtos que utiliza na terra dos vasos para melhor desenvolvimento da planta - basicamente um nutriente para o tempo de crescimento e outro para a época em que começam a dar frutos - ele gasta cerca de 80 euros por ano. Se fosse comprar 750 gramas num coffee-shop, poderia gastar em torno de 3.500 euros.

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GROWSHOP

Nos Growshops espalhadas pela cidade você pode comprar a espécie ou estirpe que lhe agrada, já em estágio de transplantar. Isso é bom para quem não sabe lidar com as sementes ou não quer ter esse trabalho.

O solo de sua varanda é de pedra e ferro, um material que esquenta muito. Por isso ele põe os vasos sobre um estrado de madeira e prende uma lona em baixo, que mantém a terra úmida. Isso evita que o vaso fique seco na sua parte inferior, por causa calor do assoalho.




Os vasos são furados na parte inferior do seu bojo e na parte de baixo


Se necessário, também compra nas lojas especializadas alguns besouros vivos, de um tipo que combate certas parasitas que atacam a cannabis - inimigos naturais dessas pragas.

Para fazer esse tipo de plantio exterior (outdoor) na Holanda, como também no restante da Europa, onde o clima é parecido, é preciso estar atento à hora de comprar as plantas, hora de colocá-las do lado de fora e hora de colher os frutos, ou buds. Martin diz que em Amsterdam esse momento é no final de maio, depois que terminam os chamados ice saints, em que de uma hora para outra a temperatura no início da primavera pode cair para zero graus ou se tornar negativa, o que poderia matar as plantas.

Na época de colher, Martin corta os galhos mais altos com os buds maiores para dar espaço para o crescimento dos buds dos galhos inferiores, que assim ganham acesso direto à luz do sol, aumentando a produção.

Por fim, depois de colhidos, os "camarões" passam pelo processo de secagem, que leva em média duas semanas, dependendo da umidade do ar.

E... voilá!







floração de maconha que vemos nesta foto não é encontrada no Brasil, ou se existir é encontrada em circuitos muito fechados, em pequena quantidade. O que se vende por aqui é uma maconha de baixa qualidade, com baixo teor de THC, prensada com só deus sabe o quê. Os psiquiatras não precisam se preocupar: a maconha que se consome hoje no Brasil tem menos THC do que a que se consumia por aqui nos anos 1970 e 80.

Só mesmo a ignorância humana é capaz de proibir o acesso de pessoas adultas - donas de seus narizes, pagadoras desses altos impostos, seguidoras da lei - de usufruir de todos os benefícios cientificamente comprovados dessa planta. Comparem a situação dos consumidores de maconha na Holanda com aqui. Sintam como vivemos num país atrasado. Por isso dizemos:

LIBERTEM AS PLANTAS!



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Newsletter Drug Policy Alliance - Terça-feira, 4 de maio de 2004

Pesquisa: Uso da maconha na Holanda não é maior devido a descriminalização

Descriminalizar a maconha não leva ao aumento do seu consumo, de acordo com uma nova pesquisa que compara os usuários da droga em Amsterdã com os de São Francisco. A pesquisa, publicada na edição de maio do American Journal of Public Health, contraria os proibicionistas que argumentam que leis liberais conduzirão a um aumento desenfreado do uso de maconha. Os combatentes das drogas, que com freqüência estigmatizam a maconha como sendo o primeiro passo para o uso de drogas mais pesadas, deveriam também notar que a descriminalização parece reduzir o suposto “efeito porta de entrada”.

A pesquisa compara Amsterdã com São Francisco, duas cidades portuárias com tendências de esquerda e universidades e populações de cerca de 700.000 habitantes. Os autores compararam os hábitos de usuários de cannabis nas duas cidades, a fim de testar a premissa de que a punição ao uso da cannabis detém o uso e desse modo beneficia a saúde pública.

O co-autor Craig Reinarman, professor de sociologia da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, diz que seu trabalho mostra que os críticos da descriminalização holandesa estão completamente equivocados em relação aos problemas que eles prognosticaram.

“Na verdade, encontramos semelhanças consistentemente fortes nos padrões de uso da maconha,” Reinarman diz, “apesar da enorme diferença nas políticas de drogas dos dois países.”

Os destaques da pesquisa incluem:

. A idade média de início do uso foi de 16.95 anos em Amsterdã e de 16.43 anos em São Francisco.

. A idade média na qual os entrevistados começaram a usar maconha mais de uma vez por mês foi de 19.11 anos em Amsterdã e de 18.81 anos em são Francisco.

. Em ambas as cidades, os usuários iniciaram seus períodos de uso máximo aproximadamente 2 anos após terem iniciado o uso regular: 21.45 anos em Amsterdã e 21.98 anos em São Francisco.

. Cerca de 75 por cento nas duas cidades haviam usado cannabis menos do que uma vez por semana ou nenhuma vez no ano anterior à entrevista.

. A maioria de usuários experientes nas duas cidades nunca usou maconha diariamente ou em grandes quantidades, mesmo durante os períodos de uso máximo, e o consumo diminuiu depois desses períodos.

Os Países Baixos efetivamente descriminalizaram o uso da maconha em 1976, e os adultos podem comprar pequenas quantidades em coffee shops licenciados; nos Estados Unidos, o uso da maconha acarreta penalidades criminais rigorosas, e mais de 720.000 pessoas foram presas por violações da proibição da maconha em 2001.

O co-autor Craig Reinarman é do Departamento de Sociologia da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, Califórnia. Os co-autores Peter Cohen e Hendrien Kaal são do Centre for Drug Research (CEDRO), Universidade de Amsterdã, Holanda.

Marsha Rosenbaum, diretora do projeto Safety First da Drug Policy Alliance, e Ira Glasser, presidente do quadro de diretores da Alliance , estavam entre os que revisaram e fizeram comentários sobre a pesquisa, antes de sua publicação.

Os pesquisadores coletaram dados de 500 pessoas que usaram maconha 25 vezes ou mais ao longo da vida. A coleta de dados para a pesquisa foi feita entre 1994 e 1999. Foi financiada pelo National Institute on Drug Abuse (NIDA) e pelo Ministério da Saúde da Holanda.

(Publicado originalmente em 14 de outubro de 2006, revisado nesta data)



3 comentários:

eric nois disse...

ficaria muito feliz em ter 750 gramas por ano!

Anônimo disse...

eu fumo maconha todos os dias pq e uma erva medicinal eu fico muito bem quando eu fumo eu pego 1k por mes pq fuma eu meu irmão meu tio minha tia e meu primo

Anônimo disse...

tem q ser liberada não importa a quantidade!!!